Aprender o International English / Inglês internacional

Inglês Internacional

Início o meu primeiro post falando o que hoje os grandes linguistas chamam de International English ou Global English. Faço isso porque diferente da grande maioria de escolas ou professores de inglês que enfatizam e defendem a ideia de ensinar o inglês americano ou o inglês britânico, eu sigo já alguns anos a ideia de trabalhar com os meus alunos o Inglês Internacional, ou seja, o inglês não como uma língua própria de nenhum país, mas sim uma língua internacional de conhecimento de todas as nações.

Inglês Internacional – Inglês Como Língua Global

O Inglês Internacional ou International English, também conhecido como World English, Global English, General English ou Common English. Dentro desta linha de raciocinio, o linguista Braj Kachru, deu origem à ideia dos “círculos do inglês”:

Inner Circle = círculo interior – pertencente aos países onde o inglês é a língua mãe – Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Canadá e várias ilhas do Caribe, Oceano Índico e Oceano Pacífico.

Outer Circle = círculo externo estão os países onde o inglês tem uma importância oficial ou por motivos histórico-culturais – Nigéria, Índia, Singapura; e outros, como as Filipinas, sob a esfera de influência dos países de língua inglesa. Aqui, o inglês pode servir como uma língua franca útil entre grupos étnicos e linguísticos.

Expanding circle = O círculo em expansão refere-se aos países onde o inglês é utilizado como língua estrangeira – China, Brasil, Rússia, Países da Europa, Oriente Médio, etc. o inglês não possui um papel oficial, mas é importante para certas funções, por exemplo. Negócios internacionais e turismo. No século XXI, os falantes nativos do inglês passaram a superar os falantes nativos por um fator de três, de acordo com o British Council.

Darius Degher, professor da Universidade de Malmö na Suécia, usa o termo inglês descentrado para descrever este turno, juntamente com as mudanças de atendimento no que é considerado importante para usuários e aprendizes ingleses.

O grande problema com o ensino de inglês no Brasil e em algumas outras partes do mundo é que até o presente momento, os materiais didáticos, as escolas de inglês, professores, etc. privilegiam o inglês que esta dentro do “inner circle”. Isto é, ensinam meramente o inglês britânico ou o americano. Pois, para eles trata-se do inglês, correto, perfeito, etc. portanto, esse é o inglês que deve ser ensinado ou aprendido. Lamentavelmente, esse pensamento continua prevalente na cultura brasileira e como escreve Rajagopalan (2004:111) essa ideia de que o “inner circle” é superior aos demais faz surgir um complexo de inferioridade” entre professores e alunos.

Esse desejo de obter um padrão de perfeição a ser alcançado, de falar inglês como um nativo americano ou britânico acaba ao longo do tempo frustrando o aluno que percebe ser um objetivo inalcançável e como resultado disso a desistência do aprendizado.

A globalização e a necessidade de haver uma língua que pudesse facilitar a comunicação entre os povos, deu início ao debate entre especialistas sobre a ideia de que a língua inglesa é de uso internacional (língua franca). “O ‘inner circle’ perdeu muito de seu poder linguístico, real ou imaginado”, escreveu Jeremy Harmer (2007:18). Por conta do crescimento do inglês como língua franca entra em cena o chamado International English.

“Segundo Harmer, a pessoa que fala o “International English” é, talvez, capaz de lidar com uma ampla gama maior de variedades da língua inglesa do que uma pessoa que fica presa às atitudes e competências do falante nativo” (do inglês americano ou britânico, por exemplo). Isso significa que quem se preocupa demais em aprender a falar inglês como um britânico ou americano pode não ser capaz de se comunicar efetivamente com o resto do mundo.” Nas
palavras de Rajagopalan (2004:115), “quem não consegue se comunicar em inglês com uma pessoa com sotaque grego ou punjabi é comunicativamente deficiente.”

Como pode ser observado no texto acima, alguns especialistas advogam mudanças no ensino do inglês como língua estrangeira, com o argumento de que os conteúdos devem refletir as necessidades de falantes não-nativos que usam a língua para se comunicar. Eu também acredito serimportante para o aluno de inglês no Brasil encontrar uma maneira de se comunicar e se expressar em inglês com qualquer pessoa no mundo mantendo sua identidade cultural de forma natural e funcional – isso deve ser levado em consideração também pelas escolas e professores de inglês
espalhados pelo Brasil. Porém, mais importante ainda deve ser obter o conhecimento das diferenças linguístico-culturais entre os falantes de inglês nos outros países que usam o inglês como segunda língua.

Em linhas gerais, trabalho o Inglês Internacional em minhas aulas presenciais e online porque ao longo dos anos percebi que o aluno o tem conseguido ganhar mais autonomia e autoconfiança ao se comunicar através de um idioma que permita a expressão de sua identidade cultural. Ao perceber que não existe domínio linguístico e
que as diversas formas de falas e sotaques desde que estejam dentro de um parâmetro de compreensão são aceitas, torna-se muito mais prazeroso o aprendizado. Resta dizer, que para alcançar um nível de comunicação avançada tanto do ponto de vista da fala como o conhecimento cultural é necessário dedicação, envolvimento com a
língua e motivação para continuar aprendendo sempre.

Ao assumir este papel de língua global, o inglês torna-se uma das mais importantes ferramentas, tanto acadêmica quanto profissional na atualidade. Este fato é incontestável e de alguma forma irreversível. O inglês acabou tornando-se o meio de comunicação falado e escrito mais rápido e eficiente no mundo globalizado.

Referências:

Kachru, B. (2004). Asian English: beyond the canon. Hong Kong University Press.
Rajagopalan, K. (2004). The Concept of ‘World English’ and its Implications for ELT. ELT Journal 58/2.
Grzega, Joachim (2005), Reflection on Concepts of English for Europe: British English, American English, Euro-English, Global English, Journal for EuroLinguistiX 2: 44-64
Harmer, J. (2007). The Practice of English Language Teaching.
Pearson Longman, Essex.

 

Claudio Vinhote

Claudio Vinhote

Coach de Inglês

 

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